Carla Carvalho

Carla Carvalho

Sexcoach e Terapeuta Holística

Iemanjá e o autocuidado: liderança emocional para mulheres negras 40+

Iemanjá como arquétipo de liderança emocional

Na cosmologia iorubá, Iemanjá é associada ao acolhimento, à nutrição, à maternidade e ao movimento das águas. Mas reduzir sua força ao cuidado seria um equívoco. As águas que acolhem também são as águas que moldam rochas, carregam o que precisa ir embora, renovam e anunciam novos ciclos.

Essa dualidade — acolher e transformar — é uma metáfora perfeita para a jornada emocional de mulheres negras maduras.

A filosofia iorubá nos lembra que tudo que vive está em constante movimento. Nada é fixo, nada é definitivo. Assim como o mar, nossas emoções também pedem fluxo, limpeza e renovação. Liderar emocionalmente é aprender a reconhecer esse movimento interno e agir com consciência, não com automatismo.

Autocuidado como retorno para si

O autocuidado, para mulheres negras 40+, não é luxo. É sobrevivência. E mais do que isso, é retorno ao próprio ori, conceito iorubá que representa a cabeça, o destino, a identidade profunda.

Cuidar de si é honrar o próprio ori.

Iemanjá nos ensina que autocuidado não é apenas descanso, mas escolha. Escolher o que fica e o que vai. Escolher o que nutre e o que drena. Escolher o que merece espaço e o que precisa ser devolvido ao mar.

Autocuidado é um ato de soberania.

Limites como proteção energética

As águas de Iemanjá não acolhem tudo. Elas devolvem o que não pertence. Elas empurram para longe o que ameaça a vida. Elas delimitam território.

Para mulheres negras 40+, aprender a dizer “não” é um dos maiores exercícios de liderança emocional. Limites não são muros, são filtros. Escolhas conscientes sobre onde colocar energia, tempo e presença.

A filosofia iorubá ensina que cada pessoa tem seu axé, sua força vital. E que essa força precisa ser preservada.

Colocar limites é preservar axé.

Transformação como prática cotidiana

A força de Iemanjá não está apenas no acolhimento, alcança a capacidade de transformar. Água parada adoece. Água em movimento cura.

Liderança emocional é isso: não permitir que dores antigas se tornem águas estagnadas dentro de nós.

Mulheres negras 40+ carregam histórias profundas — mas também carregam a potência de reescrever essas histórias com maturidade, consciência e autonomia.

Transformar não é esquecer. É ressignificar. É escolher um novo caminho mesmo quando o passado insiste em chamar.

Corpo como território sagrado

Na tradição iorubá, o corpo é extensão do espírito. Não existe separação entre físico, emocional e espiritual.

Por isso, Iemanjá também nos ensina sobre sensualidade, presença e prazer. O corpo maduro não é um corpo que perde potência, é um corpo que ganha profundidade.

Autocuidado é também:

  • ouvir o corpo;
  • respeitar seus ritmos;
  • honrar seus ciclos;
  • permitir prazer e,
  • descansar sem culpa.

O corpo é o primeiro altar.

A maturidade como mar aberto

Chegar aos 40+ é entrar em um mar mais profundo. É ter consciência das próprias marés internas. É saber que não se precisa mais provar nada para ninguém. É reconhecer que a força que acolhe também é a força que transforma.

Mulheres negras maduras carregam uma sabedoria que não se aprende em livros — se aprende na vida, na ancestralidade, na resistência e na coragem de continuar.

Iemanjá nos lembra que é possível ser:

  • firme e suave;
  • forte e sensível;
  • cuidar e ser cuidada e,
  • liderar sem endurecer.

A maturidade é o momento de assumir o próprio trono interno.

O chamado das águas

O ensinamento de Iemanjá para mulheres negras 40+ é simples e profundo:

Acolha o que te fortalece. Transforme o que te atravessa. Devolva ao mar o que te pesa.

Autocuidado é liderança. Liderança é autocuidado. E ambas são caminhos de volta para si.

Que cada mulher que lê este texto encontre, nas águas de Iemanjá, a permissão para viver com mais leveza, consciência e poder.

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