10 DIA DA MULHER NEGRA BLOG CARLA CARVALHO
Carla Carvalho

Carla Carvalho

Direitos, Autogestão & Sexualidades

Dia Internacional da Mulher Negra

Mensagem especial em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra, integrada ao Julho das Pretas, destacando a força histórica de Tereza de Benguela e a autonomia das mulheres negras 40+. O texto aborda ancestralidade, resistência, autocuidado, liberdade emocional e o processo de “desenlaçar” silêncios e expectativas que limitam a vivência plena da sexualidade, da identidade e da dignidade. A carta convida a leitora a reconhecer sua história, honrar sua maturidade e praticar liberdade como escolha diária. Ideal para conteúdos que valorizam consciência racial, autonomia feminina e fortalecimento emocional.

Uma carta aberta para você, que caminha com coragem

Hoje, no Dia Internacional da Mulher Negra, quero falar diretamente com você — com a calma de quem senta ao lado, com a honestidade de quem não precisa de máscaras, e com o respeito que nossas histórias exigem.

Este dia não é apenas uma data no calendário. É um marco de memória, luta e afirmação. É o dia em que celebramos nossas ancestrais, nossas vivências e nossas escolhas — inclusive aquelas que estamos aprendendo a fazer agora, aos 40+, 50+, 60+.

E, neste Julho das Pretas, quero te lembrar de uma mulher que simboliza a força da nossa resistência coletiva: Tereza de Benguela. Uma líder política, estrategista, articuladora. Uma mulher que comandou o Quilombo do Quariterê com inteligência, coragem e visão. Tereza não é apenas história — ela é direção. Ela nos mostra que liderança negra feminina não é exceção: é legado.

E é desse legado que você descende.

Mas quero te dizer algo com muita delicadeza: ser herdeira de resistência não significa viver apenas na resistência. Nós também herdamos o direito ao descanso, ao prazer, à autonomia, à sensibilidade, à escolha. Herdamos o direito de existir sem pedir permissão.

Neste dia, celebro você que está desenlaçando nós antigos:

  • o nó do silêncio,
  • o nó da força obrigatória,
  • o nó da culpa,
  • o nó da invisibilidade,
  • o nó da sexualidade vigiada,
  • o nó da autonomia adiada.

E, enquanto desfaz esses nós, você abre espaço para algo que sempre foi seu: a liberdade de viver com presença, com dignidade emocional e com escolhas conscientes.

Ser mulher negra é carregar mundos — mas também é ter o direito de colocá-los no chão quando pesam demais. É ter o direito de dizer “não”, “agora não”, “isso não me serve”. É ter o direito de desejar, de sentir, de explorar, de descansar, de existir sem justificativas.

Hoje, celebro você: a mulher que aprendeu a se ouvir, a mulher que está aprendendo a se priorizar, a mulher que está descobrindo que liberdade não é discurso — é prática diária.

No Desenlaçando, seguimos juntas. Com cuidado. Com maturidade. Com autonomia. Com a certeza de que nossa história não é apenas sobre resistência — é sobre renascimento.

Feliz Dia Internacional da Mulher Negra. Que você se reconheça, se honre e se liberte — todos os dias.

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