Uma carta aberta para você, que caminha com coragem
Hoje, no Dia Internacional da Mulher Negra, quero falar diretamente com você — com a calma de quem senta ao lado, com a honestidade de quem não precisa de máscaras, e com o respeito que nossas histórias exigem.
Este dia não é apenas uma data no calendário. É um marco de memória, luta e afirmação. É o dia em que celebramos nossas ancestrais, nossas vivências e nossas escolhas — inclusive aquelas que estamos aprendendo a fazer agora, aos 40+, 50+, 60+.
E, neste Julho das Pretas, quero te lembrar de uma mulher que simboliza a força da nossa resistência coletiva: Tereza de Benguela. Uma líder política, estrategista, articuladora. Uma mulher que comandou o Quilombo do Quariterê com inteligência, coragem e visão. Tereza não é apenas história — ela é direção. Ela nos mostra que liderança negra feminina não é exceção: é legado.
E é desse legado que você descende.
Mas quero te dizer algo com muita delicadeza: ser herdeira de resistência não significa viver apenas na resistência. Nós também herdamos o direito ao descanso, ao prazer, à autonomia, à sensibilidade, à escolha. Herdamos o direito de existir sem pedir permissão.
Neste dia, celebro você que está desenlaçando nós antigos:
- o nó do silêncio,
- o nó da força obrigatória,
- o nó da culpa,
- o nó da invisibilidade,
- o nó da sexualidade vigiada,
- o nó da autonomia adiada.
E, enquanto desfaz esses nós, você abre espaço para algo que sempre foi seu: a liberdade de viver com presença, com dignidade emocional e com escolhas conscientes.
Ser mulher negra é carregar mundos — mas também é ter o direito de colocá-los no chão quando pesam demais. É ter o direito de dizer “não”, “agora não”, “isso não me serve”. É ter o direito de desejar, de sentir, de explorar, de descansar, de existir sem justificativas.
Hoje, celebro você: a mulher que aprendeu a se ouvir, a mulher que está aprendendo a se priorizar, a mulher que está descobrindo que liberdade não é discurso — é prática diária.
No Desenlaçando, seguimos juntas. Com cuidado. Com maturidade. Com autonomia. Com a certeza de que nossa história não é apenas sobre resistência — é sobre renascimento.
Feliz Dia Internacional da Mulher Negra. Que você se reconheça, se honre e se liberte — todos os dias.